sexta-feira, 23 de maio de 2008

Mais uma chance.

Cada dia eu quero me apaixonar mais, pelo o que ele é, não pelo o que ele faz. Não sou digna de tanto amor, de perdão atrás de perdão. Desses dias pra cá tenho falado com ele nesse sentido, de toda vez falarmos palavras da boca para fora, pedimos mudança, e quando acaba a conversa não muda nada, não muda uma atitude, não amamos se quer os que estão a nossa volta, até dizemos que sim, mas as ações mostram que nem tanto. E também de como somos egoístas, pedimos a ele só pelo círculo (ou circo!) que está a nossa volta, não lembramos das guerras que a mídia não mostra, não lembramos das crianças que estão passando fome, ou que gostariam de brincar e não podem, das que passam tantas dores nos hospitais, não, a gente só pensa na nossa família, no que ele tem pra nós mesmos, nos nossos amigos.
Chega de tanta petição, vamos mudar primeiro, pra depois correr pros braços dele e descansar, não descansar sem nem ter feito nada. Sinto-me indignada, sinceramente, tenho procurado ser o mais verdadeira, porque vi o quanto nós falamos, falamos, falamos, e não fazemos nada, quanta hipocrisia.
"Olhamos mais para o palavrão do que para a ferida", ou seja, damos mais importância para aquele pecadinho, do que para a dor que a pessoa está sentido.Chega de religiosidade, chega de julgar, de apontar, de proibir. Precisamos amar, é isso.

sábado, 26 de abril de 2008

Sonho

Hoje realiza-se na cidade de São Paulo a Virada Cultural, e como todo ano, O Teatro Mágico está presente. Assistindo a reportagem recordo-me de um ano atrás, do melhor show que já fui.. por isso hoje merece a letra da música que eu mais gostava!

Sonho
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli


Nem toda palavra é

Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz

Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa

Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá

A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração

A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão às vezes é doce
Mas às vezes é doce não

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah! E o mundo é perfeito!
Hum... E o mundo é perfeito!
E o mundo é perfeito!

Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Mas a incerteza traz inspiração

Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso

Tem sorriso que parece choro
Tem choro que é pura alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia

Tem motivo pra viver denovo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Mas sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah! E o mundo é perfeito!
Mas o mundo é perfeito!
O mundo é perfeito...

Sobra tanta falta

"Sobra tanto espaço dentro de um abraço" (Trevisan)
Falta amor
Falta amor
Falta amor
No mundo falta amor
É raro
É raro
Procura a solução
Cegos
Cegos de tudo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Humanamente humanos"

O que é amor? Teriam infinitas definições que não cabe a dicionário algum nos responder. E amar? Existem restrições em cor, raça, naturalidade ou coisa assim? Tomando como base o livro bíblico Romanos 13: 9 e 10 é bem claro o mandamento "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor". Quantos de nós estamos debaixo da lei hoje? Deparamos-nos com a gritante realidade mundial, mas não pensamos que isso é o preço que pagamos pelos maus atos diários. Claro, não existem santos, ou alguém que diga que não têm falhas. Se ouvir, é mentira, todo ser humano tem seus defeitos, assim, tendo em si seus acertos também.
Individualistas, é a mais precisa definição que retrata o estado do ser humano no século XXI. Sem contar a extrema diferença social: muitos pobres, e exclusivos ricos. Creio que a solução está em voltarmos a ser humanos, mesmo sendo redundante dizer "humanamente humanos", infelizmente na situação que estamos é a expressão que retrata o significado nato do que hoje nos falta.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Uma delas.

Relato sexta-feira, como as outras, dia de entrega, abrir os braços para si. Como diz Drummond "Tenho apenas duas mãos, e o sentimento do mundo" assim sucedem sextas-feiras, tão preciosas, solitárias. Ouço vida de Chico, testemunho de Vinícius, nestas (sextas) acho mesmo que nasci pra isso, humano. Até que chegue segunda, e a matemática junto dela. Claro que isso agora não tem sequer crédito algum, ou talvez nunca tenha, ou terá, enfim...
Quanto vale a música, a letra expressiva, o livro chorão? Sem, cem, sem preço, nem peço.
Depois de ler esse artigo, impressiona-me quão raros são esses. Ah Chico, quero um dia escrever como tu escreves.
Faz-me bem essas tardes, mais ainda as noites, que diria de entrega ao dobro, ao triplo, quanto for necessário. Tardes com Chico, valorosas. Mas nada de compara ao encontro da noite, com Deus, inexaurível!
Às vezes achamos que somos tão completos, tão "grandes" suficientes para opinar nisso, mudar aquilo outro. Quanta bobagem, somos tão pequenos, e complexos pode-se dizer. Bom, para não "complexar", abraçarei agora o subjetivismo. Adeus, por enquanto.

domingo, 2 de março de 2008

Obsessão

Saudade de Daniel que me transformara, odeio-o por ter me deixado, me deixado assim. Sinto como se estivesse aqui, ao meu lado, porém não está, sabe-se lá onde está.
Faz tudo sentido agora, depois de ler nosso conto em nosso livro. O porquê de ter desaparecido e nunca mais voltado, o motivo de ter me abandonado. Cumpriu seu papel em minha vida, me fez acordar e agora andar sozinha, com as próprias pernas.
Não nego que enquanto lia, minha vontade era de sair correndo a procurá-lo, tocar seu rosto como antigamente, andar pelas praças e viver a loucura que vivíamos. Sonhara a pouco com o corpo dele se aproximando, sentia ele a observar-me e rir. Imaginara chegando aqui, em nosso lugar, o lugar que definimos como nosso, nesse horário, como se costume, e apaixonarmo-nos novamente.
Talvez reconheceríamos que não somos mais os mesmos, decidimos assim, nos descobrimos. Ocorreram permutas de pensamentos, sentimentos, e só.
Repito, não nego a falta que me faz, vou embora.
O que Daniel ensinara á Cristina é eterno, disse-a que é preciso sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar.
Cristina só aprendera a primeira parte.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Rascunho

Comecemos com "era uma vez"? Talvez. Mas lembrando que não contemos conto de fada com final feliz. Aliás, felicidade, um termo hoje em dia bem distante de nós, parece até ilusão alguém dizer que é feliz, com tantas circunstâncias, enfim...
Aquela voz acreditava no tal termo, lutava pela proximidade dele até nós, coitada. Fala, vale a pena? Cala.
Outra vez, volte a soar a voz que não sai da minha mente, nem do coração, vida que lutava, e que hoje, vala.
Uma só bala, abala.
Constrange-me saber da voz que não ouço mais, aquela que me apoiava, eu apoiava, não queria calar-se, se fez foz.
Lembro-me de momentos sórdidos, impuros tão quando uma vala esquecida, destrutiva. Também não nego a vida exultante que tivemos, creio que jamais passará um casal pelo o que passamos, jamais viverá o que vivemos, aquelas terças-feiras tediosas, que somente nós sabíamos sobreviver, apreciando uma boa peça teatral, explorando o recinto onde estivéssemos, éramos felizes.
Tenho cravada em meu peito, aguardo ansiosamente a hora de reencontrá-la. Enquanto isso descrevo-nos, éramos felizes.
Traz de volta aquela voz suave. Que fala, questiona, confronta.
Traz-me a bala, cala.