domingo, 26 de dezembro de 2010

"Shrek no fundo tem bom coração e expressa valentia quando preciso. Grande parte de sua vida muda quando se apaixona por Fiona, também ogra."

Quero escrever não de alguém, mas para alguém.
Engraçado que as mudanças que acontecem em nossa trajetória a gente só começa a reparar depois de um tempo. Hoje reparo no meu modo de pensar e de interpretar as coisas como está mudado, coisa de meses, uns três ou quatro meses pra cá. Reconheço sinceramente que seu jeito está tatuado em mim. Acredito que as pessoas que nos cercam são responsáveis pelas nossas mudanças, por isso sinta-se responsável pelas mudanças que hoje vejo em mim.
Foi você que veio com essa idéia de discordar, de pensar por outro lado, de ter medidas drásticas, de escolher o contra, aliás, você sempre me contrariou. Deve ter isso, essa insistência em nunca dar o braço a torcer, em querer que eu cresça sozinha, mas poxa, quem me fez crescer foi você. Não tem jeito.
Com você eu aprendi que nós estamos em constante mudança, que a vida é curta, e que por isso nós devemos, sim, experimentar, vivenciar as pessoas, porque senão, qual razão dessa vida esquisita senão essas tais pessoas?!
Desde a nossa primeira conversa você me confrontou, discordou da minha opinião e não abriu mão dos seus pensamentos, aliás, não fazia questão de me influenciar e me fazer mudar. Esse nunca foi seu intuito, mas foi o que aconteceu.
Você cuidou de mim sem saber que cuidava. Deu-me a atenção que eu requisitava tanto fazendo o contrário. Ensinou-me a gostar do diferente, a respeitar e aprender, e muito, com aqueles que eu achava que devia me afastar. Foi você, você fez isso, me fez olhar o outro e reter o que é bom.
Hoje olho pra essa trajetória que passamos e vejo o quanto eu amadureci com as conversas que você fazia questão de olhar nos meus olhos e falar com uma convicção que me invejava. No entanto, era com uma convicção não de certeza, a convicção da dúvida. Um pouco complicado explicar com palavras isso, fico confusa. Assim, do jeito que você me deixava, confusa. Como eu adorava essa dúvida.
Essa dúvida me fez andar sozinha, escolher sob pressão, me virar com a minha consciência.
O que quero dizer é que eu apanhei muito pra entender e saber lidar com esse seu jeito maluco. Foi uma luta te conquistar. Quem me conquistou foi você.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Uma sexta-feira à noite.

Solilóquios espirituais
Ricardo Gondim


Resisto, inquieto com a necessidade de esvaziar-me. Não tolero ver a vida se arrastando, o cenário mudando e eu sem fôlego, a correr sem me perceber.

Os pontapés da vida desnudaram a verdade de que os processos de esvaziamento são doloridos. Processos que significaram perder a onipotência que veio a reboque da minha religião e que herdei de minha insegurança juvenil. Há mortes que não estou disposto a morrer, há privações que procuro dispersar, há dores que não quero experimentar.

Quero ter o controle do tempo inclemente. Não suporto ouvir que sou responsável por quem sequer conheço. Não me imagino preso a compromissos alheios. Careço de ócio criativo, sou natural dos sábados. Anseio por conversas calmas, nasci de um amor calado. Debulho os instantes para sonhar com a eternidade. Choro a dor do mundo porque sei de meu egoísmo.

Fotografo o orgulho que se disfarça e sutilmente se esconde em meu coração. Tenho uma empáfia que se traveste de piedade e habilmente me faz sentir puro. Há uma arrogância embutida em mim, que me espreita de soslaio e, transparente, infecta tudo o que faço. Continuo dono de rompantes rebeldes, já enraizados na medula dos ossos.

Sei que devo aprender a ser apenas gente. Grito para dentro, meu grito é mudo: "Ainda hei de seguir a senda despretensiosa dos santos".

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"O que me atormenta é que tudo é 'por enquanto', nada é sempre." (C.L)

Com lágrimas nos olhos começo a escrever esse texto sobre alguém que, como tantas outras, passam pela nossa vida. Essa, de uma certa forma, tornou-se especial em pouco tempo, coisa de meses. Na verdade, não consigo entender tantas lágrimas que escorrem sobre meu rosto agora, pois sinto que um escudo está indo embora. Um escudo, é essa minha referência a ela. É um agente amparador, que proteje e guarda, que é forte, que se pode contar nas horas de combate e que, acoberta contra o mal.
Sua fragilidade é tão escondida que quem não repara acredita mesmo que é quase de ferro. Mas quem a conhece no profundo sente sua doçura e seu cuidado mais de perto, passa a enxergá-la como alguém que é tão sensível como uma flor, tão amigável, tão confiável que não sente medo de compartilhar seus segredos, nem de derramar lágrimas ou esbanjar sorrisos.
As palavras mais sábias, nas horas corretas e lugares escolhidos, assim me refiro a essa amiga, que pude (e posso) contar pra qualquer hora, pois me provaste que a essência vale muito mais que a aparência. É desse tipo de gente que quero a minha volta rodeada, gente como a Clarice, que valoriza a amizade e que não abre mão de uma conversa sincera. Que tem muito sentimento pra dar, que tem muitos medos pra compartilhar, que tem uma vida a abrir.
Talvez ela seja a pessoa que merece uma atenção especial, porque "ô menina difícil de se conquistar", ela é assim, a gente tem que ir conquistando a confiança dela sabe, não foi fácil não. Parece que ir lidando com ela foi como ir pisando em ovos, que você vai tomando cuidado, com medo que se quebre, que rache alguma coisinha que mal está posta, mal foi construída. E assim os dias foram passando, as conversas fluindo, a amizade crescendo e deu no que deu, um chororô de despedida.
Já que estou aqui, não posso deixar de registrar que nos últimos meses as melhores e maiores risadas aconteceram ao seu lado. Sem dúvida, os fatos mais divertidos e simples, mais dignos de serem guardados como lembrança, foram com essa participação ilustre. Dos dias de passarmos horas embaixo de uma árvore, ou num sofá fazendo nada a não ser nos matarmos de rir, até as "festinhas estranhas com gente esquisita" que nos renderam gargalhadas infinitas.
Guardo aqui lembranças de uma amizade construída e fundada na sinceridade e no companheirismo.
Talvez a profundidade dela me irrite um pouco, por que é que ela conseguia tocar no mais profundo do meu ser? Aquelas frases tão calculadas, tão frias e surpreendentes. Aquelas citações de autores que ela conhecia como ninguém que, soltadas ao ar, soava um pesar que depois tornava leve e reflexivo. Era ela, sempre a que nos fazia parar e pensar, refletir sobre nossos atos, repensar pensamentos, refletir nossas escolhas. E sim, a razão que ela nos fazia alcançar nos fazia escolher diferente. Bom, pelo menos me fazia e me tem feito.


"A felicidade aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam em nossa vida." (Clarice, Clarice Lispector)


- Pára de ler Clarice.
- É, vamos dar uma volta, paquerar...
- Pra quê? Eu não preciso disso não, vocês precisam?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém." (Caio F.)

Um telefonema às 06h55; palavras; um choro do outro lado da linha; o começo do fim.


"Então eu entro nessa prosa
Sem saudade.
E quando paro pra escutar vejo se é tarde
Tarde pra sentir o aroma
Desses seus cabelos negros,
Negros como o tempo
Em dia que te vi partir.
Partir minha estrada vida,
Estrada de terra batida,
Em antes e depois
Do dia em que te conheci.
Era leve o vento que senti roçar a pele
Me arrastando como ao pólen.
Carregadas nuvens cobriam meu céu
Choveu, choveu.
Molhando minha terra seca."

Posso Perguntar (Ellen Oléria)

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Conciliar significa harmonizar, aproximar ou tornar compatíveis "

A gente vai ficando saturado de tantas e tantas coisas. Acho que fim de ano é assim mesmo, uma nostalgia que arrebata a gente não sei pra onde, vem em forma de tristeza. O ventilador não é mais suficiente, chega a irritar ouvi-lo 24h por dia. Desse movimento incessante que a gente pára pra olhar a nossa volta e, a vontade que dá é de fugir. Mas diz que quanto mais fugimos de nós mesmos, mais nos encontramos. Eis aqui o encontro, encontro com Mariah.
Mariah não é mais a mesma, parece confusa, conturbada, estressada, madura, contraditória, contraditória, contraditória. Sabe-se apenas que muitas são as informações, muitos são os sentimentos, muitos pensamentos, conhecimento, irritação... Deve ter sido o fim de semana que a tenha deixado assim, ou não.
É hora de mudar, de se conhecer novamente. Reencontrar sua identidade. Necessita retratar-se com alguns. Merece perdoar-se. Mariah precisa conciliar.
Deve ser isso. Deve, mas talvez não é.