sexta-feira, 13 de abril de 2012

Há um rumor em mim.
rumor de dúvida,
de afeto,
se sentidos,
de calor.

Há um rumor que me aproxima,
que me afasta
e me devolve a você.

Um rumor que me toma na sua ausência,
invade meu dia,
desperta em mim
essas coisas todas.

Deita ao lado meu
e sinta
meu silêncio
meu amor confuso.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Eu não queria andar morrendo pela vida


- Duvida que eu consigo estudar processo penal essa tarde?

É com essa pergunta que começo a divagar sobre o dilema de sexta-feira.
Sexta-feira é um dia ímpar, apesar de ser numericamente par. É o dia da expectativa, que passamos a semana toda esperando, sem saber o quê exatamente, mas ansiamos desesperadamente pela sexta-feira.
No meu caso, há anos a tal da sexta-feira tem um sentido enorme. No colegial lembro dela de uma forma muito peculiar. Era naquele dia que me escondia na biblioteca municipal, pegava um livro da Clarice e alimentava minh'alma. Era na sexta que eu me descobria, que marcava um encontro comigo mesma. Às tardes passadas deliciosamente em baixo daquela árvore que tanto, tanto gostava. Era assim, quando ficava muito quente dentro da biblioteca a gente saía e ficava na praça, olhando o movimento, reparando a árvore, tomando um ar. Digo "a gente" porque muitas vezes uma amiga me acompanhava, outras não; vezes aparecia alguém diferente, vezes não.
Exatamente sexta-feira à tarde. Hora de escolher: estudar ou viver? Não que estudar ou dedicar um tempo pra algo a longo prazo não seja viver, porém, dentro de mim, o viver nada tem a ver com isso. O que pulsa, faz respirar, sentir, me reconhecer como ser humano, sinceramente, não passa nem perto de utilitarismo, de lucro, de racional, de calculável. O sentido da vida, contrário ao que sou forçada a acreditar, é "invísível aos olhos".
Devo dizer que quero viver do essencial, sabendo ser isso provavelmente impossível, pra nao dizer certamente impossível.
Vejo-me diante desses dois livros, qual escolher?

Ah, se fosse uma quinta-feira..


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ego, pra que te quero

Parece tão difícil falar de você mesmo, até se escreve na terceira pessoa, causando uma impessoalidade consigo mesmo. Talvez porque a tendência seja fugir, fugir do encontro, do confronto, da descoberta de si.
As horas correm, os dias passam, e a batalha é para que eu diminua, faz parte do propósito. Propósito tal que se refere a mim, a minha pessoa, ao meu caráter, aos meus sentimentos, que acrescenta ou destrói, mas interfere em mim, somente em mim.
Escrevo por reservar e dedicar um espaço especialmente pro meu ego, que tento o tempo todo evitar. É aqui, neste tempo e espaço que me permito falar de mim, sem que canse o ouvido de alguém, sem me tornar egoísta (sabendo que o egoísmo se expressa em relação ao outro, quando exposto à realidade). Por isso me liberto aqui, e somente aqui, a voar pro meu interior, onde me encontro, onde sinto, onde está o pulsar, o viver.
Hoje especialmente tenho muito a dizer. Dizer que estou feliz, satisfeita com a minha vida, com meus amigos, com meu dia-a-dia, com a minha família, com as músicas que ouço, com a minha determinação, com a minha consciência, com o meu sorriso. Estou feliz por compreender que meu estado de espírito não inibe a sensibilidade crítica, que não me impede de enxergar as injustiças, não coloca uma venda nos meus olhos impossibilitando que eu veja a realidade como ela é, com toda indiferença, insatisfação, sofrimento e dor. Ao contrário, essa plenitude me impulsiona a ousar, a me entregar à luta com ânimo, com perseverança e, principalmente, com esperança. Percebo que esse estado de espírito pode contagiar, pode influenciar e pode sim fortalecer o outro, pois tenho algo a oferecer, ainda que pouca coisa, existe essência transbordando.
Aqui vou eu novamente falando do outro, e não de mim..

domingo, 29 de janeiro de 2012

Falemos de essência

Esses dias os pensamentos têm me levado à Deus. Pensamentos de paz, e não de mal; de vida, e não de morte, de encontro, e não abandono. Pensamentos que me firmam naquilo que conheci há anos e que carrego por onde ando, aquilo chamado essência do evangelho. Sobre Aquele que deu Sua vida por mim, e que hoje, de alguma forma toca minh'alma no mais profundo, no mais íntimo desse ser. Admito a falta que faz esse toque, esse encontro, essa lágrima escorrendo no rosto de alegria. Sinto saudades do aprendizado, da palavra, das coisas de Deus que fazem sentido, que são relevantes e que me transformavam a cada dia.
No começo estava um pouco confusa, desconfiada, desencorajada na verdade. A dúvida que passava pela minha cabeça era se eu estaria disposta (ou não) em vestir a camisa verdadeiramente; por acreditar e saber que Deus não me quer pela metade, e sim por inteira. E isso requer comprometimento, compromisso com Sua palavra, com a Sua verdade. No entanto, também pensava se haveria uma hora, um dia qualquer que chegasse e de repente eu estaria pronta, pronta pra voltar, pronta pra comprar a causa. E na verdade não, esse dia não vai chegar, pois o que interessa mesmo é o que faz pulsar meu coração, saber que o que existe é uma lapidação eterna, esforço diário.
O encorajamento foi vindo aos poucos, de conversas que me lembraram o quão gratificante é servir a um Deus vivo, conversas essas que me lembraram que a fé vem pelo ouvir, e pelo ouvir da palavra de Deus. Lembrei-me que na hora da angústia e da tristeza o conforto vem do alto, e vem por completo, satisfaz e muda a circuntância. Lembrei-me que se é pra viver de essência, que reconheçamos que é dessa essência que estamos falamos. Daquela que forja o caráter, que guia pelo caminho certo e que traz paz, aquela tal paz que excede qualquer entendimento.
Definitivamente, não há que se falar em viver distante dessa realidade. Pois se conheço de perto do que estou falando, não posso ficar na mesma, não posso viver como se esse Deus não existisse, não é possível viver indiferente.
O meu desejo hoje é para que eu me lembre todos os dias do que me faz pulsar, do que faz sentido, do que me move verdadeiramente.



"Eu sei seus pensamentos são mais altos que os meus
O teu caminho é melhor do que o meu
Tua visão vai além do que eu vejo
O Senhor sabe exatamente o que é melhor pra mim
E mesmo que eu não entenda o seu caminho, eu confio"




"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos." (Isaías 55.8-9)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

É preciso estar aberto!

O fato é que hoje foi um dia digno de ficar registrado. Pressupondo que este é um lugar carregado de sentidos, então, devem ser descritos dias como esse, cheio de energia positiva.
Hoje Mariah sentiu-se viva. Porque quem vive sofre, chora, vê, sente pulsar.
Na rua, pediu um suco pra viagem que, por não caber em um, acabou levando em dois copos. Ao passar por um jovem senhor mal vestido sentado na calçada resolve lhe oferecer um dos copos, mas passou reto. Ao repensar, pára, volta em direção a ele e pergunta: "O senhor aceitaria um presente meu?", ele com um sorriso um pouco temeroso responde rápido: "Claro". Mariah então, observando que os que passam olham desconfiados, entrega-lhe o copo, deixa uma parte dela ali com um sorriso espontâneo. É por isso que se vive, pelas pessoas. O que fica é a satisfação de Mariah ao lembrar da frase clichê mais verdadeira que conhece: "Você é aquilo que faz quando ninguém está vendo."
As horas passam e, já em casa, um tio chega em casa e a família se reúne na sala. Conversa vai, conversa vem, até que Mariah em ato de desespero desperta um prantos. Lágrimas escorrem sobre seu rosto junto com uma voz de choro expondo seus sentimentos, seus machucados que teimam a cicatrizar. Numa construção de afeto e muita compreensão a sala se enche de amor e o que antes era choro se transforma em alegria. Porque expor fraqueza é privilégio. Uma cena que com certeza ficará pra sempre no coração dos presentes. Que presente foi esse momento. O que fica é a impressão de que falta em toda família um reconhecimento do outro, daquele que está ao lado, almoçando, dormindo, vivendo junto. Ainda que esteja perto, muitas vezes estão distantes uns dos outros. Reconhecer uma falta proporcionou a Mariah perceber um amadurecimento genuíno, um crescimento, um avanço no processo que se propôs, o de aprofundar relacionamentos.
É preciso estar aberto e ir além, é preciso estar disposto.

domingo, 16 de outubro de 2011

À uma amiga mais chegada que um irmão

Biri querida, num domingo chuvoso de outubro você acendeu uma chama que estava quase se apagando. Digo em dois sentidos, ou podem ser duas chamas também, como preferir.

Uma foi ouvir novamente o primeiro CD do Los Hermanos. Quanto tempo não ouvia e como me fez bem relembrar uma época muito boa que vivi, a qual essas músicas foram a trilha sonora.

A segunda, e mais importante chama, foi de pensar em você, minha amiga. Você que fazia questão de parar pra conversar comigo, cultivar a amizade todas as semanas. Quanta diferença você fez na minha vida. Foi uma fase de tantas mudanças, e você fez parte delas. Claro, minhas escolhas eram sempre aconselhadas pela sua experiência, pelas suas orações, pelas conversas e direções sempre sábias que você me passava com tanta delicadeza.

Você foi aquela irmã mais velha que sabia as rédias que eu precisava. E que bom, sinceramente, que eu soube te ouvir. Hoje colho frutos das escolhas que fiz naquela época, tanto bons quanto ruins. E os bons, sem dúvida, tem uma parcela de participação sua.

Quero aqui nesse cantinho tão especial que é o blog, que você acompanhou (e acompanha, tenho certeza) há tanto tempo, expressar minha gratidão à sua amizade. Ela que foi construída em bases sólidas, e que até hoje, mesmo tão distante de você, sinto um sustento. Digo isso no sentido de ter confiança que, qualquer perrengue que eu passar, ou que você passar, estaremos juntas.

Minha querida, agradeço de todo meu coração por tanto aprendizado que tive quando estava perto de você. Com certeza, você foi a pessoa que em menos tempo de convivência eu mais aprendi. Faltam-me palavras, sinto muita falta das suas broncas, do seu abraço, do seu carinho, do seu cuidado comigo. Sinto falta das palavras surpreendentes que você tinha. Lembro muito disso, você nunca falava o que eu esperava, você sempre, sempre me surpreendeu. E assim, me cativou.

Birilinha, te amo como uma irmã. Irmã em Cristo, como você é pra mim.

Escrevo esse texto com lágrimas nos olhos, lágrimas de felicidade, por ter cruzado o meu caminho essa pessoa tão maravilhosa que é você, Ane.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O que tem me consumido numa segunda-feira

Chico é um cara bom. Bom porque chega em hora certa, lugar certo, e na medida certa. Noites como essa são dignas de serem apreendidas no íntimo do ser. Isso significa que são momentos que devem ser guardados, e que, além de guardados, muito mais aproveitados. Aproveitados no sentido de serem absorvidos, absorvidos pelo espírito.
Que segunda-feira singular.
Aproveito pra declarar o estado encantador que tenho vivido. O mundo encantado que tenho descoberto.. São as amigas presentes, a casa em harmonia, o bosque que me ensina a respirar e meditar, as corridas que me dão fôlego, as músicas que me movem, o insenso no silêncio, a paz de espírito, a presença dele..
É tempo de valorizar as pequenas coisas. Pequeninas, singulares, particulares e com tanto significado.


Minha melhor e mais linda companhia:
Chico Buarque e Caetano Veloso - Tatuagem/Esse Cara
http://www.youtube.com/watch?v=TB6Cpy-X7A8